A reinvenção da “tábua” e o design responsivo

Jobs no lançamento do iPad: Revolução

Jobs no lançamento do iPad: Revolução

Steve Jobs sempre apresentou seus produtos em pé. Exceto em janeiro de 2010, durante o lançamento do primeiro iPad, em que a apresentação se deu em um confortável sofá. Uma mensagem subliminar? Tratava-se do prenúncio do que viria a ser um novo modo de consumir informação.

Ao analisar a evolução da plataforma sobre a qual a informação era colocada, passaremos por superfícies de pedra, tábuas de argila, pergaminhos, códex, livros impressos, jornais, computadores… Até voltarmos à “tábua”.

O que há em comum entre todas estas plataformas neste movimento cíclico? Desde os primórdios da escrita, a informação sempre foi consumida de forma linear. E o que se constata é que, durante séculos, ela migrou entre plataformas de superfícies sólidas e flexíveis. Mas nunca deixou de ser linear, mesmo com o início da era digital.

Até que Jobs trouxe a “tábua” de volta. Com alguns “pequenos” diferenciais: ela proporcionava ao receptor um alto grau de interatividade, que poderia entregar muito mais do que simples textos encapsulados atrás de seu vidro. Um evento ocorrido no momento em que deveria: Jobs já visualizava algo nesta linha em meados dos anos 1980, mas a tecnologia de produção então disponível inviabilizava sua execução.

É fato também que o terreno já havia sido preparado anos antes por outra grande revolução. Os smartphones com conectividade 3G trouxeram mobilidade para o usuário, oferecendo conexão em alta velocidade, onde quer que ele esteja. É inegável que o iPhone foi protagonista. Pode não ter sido o pioneiro na conexão 3G, então dominada pela RIM com seu BlackBerry e pela Nokia, mas trouxe um design inovador, com comandos a partir de sua tela multitouch e de um único botão, abolindo o teclado físico, além de um sistema operacional com interface intuitiva e amigável, uma marca registrada da Apple.

O mercado absorveu muito bem estas mudanças. E uma boa mostra disso pôde ser vista no Media On – 6º Seminário Internacional de Jornalismo Online, realizado pelo Terra e Itaú Cultural no início de dezembro. Durante seus painéis discutiu-se, entre vários temas relacionados ao consumo de informação digital, o impacto causado neste meio pela tecnologia mobile e redes sociais.

Importante destacar o case do jornal O Globo, apresentado durante o painel “Mobile: Qual o futuro da notícia?”. O colunista Pedro Dória, que também é editor-executivo de plataformas digitais do jornal, discorreu sobre alguns exemplos de apps de notícias criados para tablets. Entre eles, citou algumas características exclusivas do tablet, como o fato de tratar-se de um dispositivo manuseado “com calma” pelo seu usuário, diferentemente da web (desktop) e do smartphone.

Segundo Dória, “o tablet comporta-se como um impresso, porém totalmente multimídia”. É uma plataforma que dá ao usuário maior poder de interatividade e rapidez no acesso. Oferece, por exemplo, as mesmas imagens das outras mídias, porém com muito mais brilho e qualidade. Além de possuir “horários de pico diferentes”: enquanto a web geralmente é consumida durante o período comercial, no local de trabalho, e o smartphone está praticamente o tempo todo com o usuário, o tablet possui um caráter “vespertino”, de acordo com levantamento exposto pelo colunista.

O Globo A Mais: um case de sucesso

O Globo A Mais: um case de sucesso

Tais características exigem um formato de informação diferenciado. Dória destacou a criação d’O Globo A Mais, um aplicativo de notícias criado exclusivamente para iPad, com formato e conteúdo desenvolvidos com base nas características deste público. Houve a atenção de não simplesmente encapsular o formato impresso na tela de vidro, erro cometido pelo pioneiro The Daily, que sofreu as consequências a galope – deixou de circular em menos de dois anos de existência. Com o app, a equipe d’O Globo sabia que atuaria em um mercado primeiramente diferenciado, mas que se tornará predominante dentro de alguns anos. A iniciativa quadruplicou (isso mesmo, quatro vezes mais) o número de assinantes, além de duplicar o tempo de navegação do usuário em seus meios digitais.

Qual o pulo do gato? Ir muito além do conceito de design responsivo. Explorar a interatividade, seja na fotografia trabalhada de forma “estupenda, mas com carga de notícia”, seja nas matérias que oferecem a possibilidade do audiovisual, ou seja nas informações relevantes que literalmente saltam aos olhos e mãos do usuário, confortavelmente acomodado em sua poltrona (lembra do Jobs no lançamento do iPad?) Em resumo, focar na melhor experiência que o usuário pode usufruir ao navegar em um site ou aplicativo.

O case de sucesso d’O Globo A Mais é somente um exemplo de como se deve tratar a veiculação de uma mesma informação em diferentes formatos. Porém, o foco de atenção daqui para frente deve ser muito mais abrangente. Os conceitos de “Design Responsivo” e “User Experience” (também conhecido como UX) ditarão as regras de elaboração de sites daqui por diante. Com pelo menos três tipos diferentes de dispositivos de mídia digital disponíveis no mercado – o bom e velho desktop, o smartphone e o revolucionário tablet – com uma variedade infindável de tamanhos e com browsers igualmente diversificados, cada qual com seus padrões, faz-se necessário ter um site, sistema ou aplicativo que inteligentemente se adapte a cada um destes dispositivos, com o desafio de oferecer uma navegação simples e atraente, que retenha o usuário, de modo que isso se traduza em resultados positivos para ele e para o emissor da informação.

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Uma resposta para “A reinvenção da “tábua” e o design responsivo”

  1. O melhor disso tudo é que os tablets vieram para facilitar a vida de todo mundo, sem restrições!

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